Natureza do sacerdócio de Cristo

Desde Libreville até Ecône, Dom Lefebvre seguiu transmitindo sem alterações a doutrina do sacerdócio que ele havia recebido em Roma de seus mestres espiritanos, herdeiros da escola francesa de espiritualidade. Deste modo, ele estava providencialmente preparado para afrontar a grave crise de identidade pela qual passam os sacerdotes desde o Concílio.

O sacerdócio de Jesus Cristo está intimamente ligado ao mistério da Encarnação:

A própria divindade, ao descer sobre a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi quem, em certo modo, o ungiu, à semelhança do óleo que derramado sobre a cabeça consagra aquele que recebe tal unção”.

Por meio da união em sua divina Pessoa entre a natureza divina e a natureza humana, Jesus Cristo, em quanto homem, foi constituído essencialmente como “Mediador entre Deus e os homens” (1 Tim. 2, 5) e, portanto, sacerdote “tomado dentre os homens e constituído a favor dos homens naquelas coisas que se referem a Deus” (Heb. 5, 1).

O ato principal de todo sacerdote é oferecer sacrifícios (Heb. 5, 1). Por uma prerrogativa admirável, Nosso Senhor Jesus Cristo, ao assumir voluntariamente sobre a cruz os sofrimentos e a morte que lhe infligiram seus perseguidores, ofereceu a Deus, seu Pai, em nome de toda a humanidade, um sacrifício de um gênero único, no qual Ele era ao mesmo tempo o sacerdote e a vítima, o oferente e a hóstia.

Em razão da dignidade da vida que imolou e em razão da imensa caridade com que se entregou pela glória de seu Pai e pela salvação das almas, Jesus Cristo ofereceu a Deus Pai uma satisfação superabundante pelos inumeráveis pecados de toda a humanidade. Por esse motivo, o sacrifício da cruz foi eminentemente propiciatório.